07/01/2026

Different and normal like 90's - Matéria


  

Clique em "Mais informações" para ver a matéria. Alteração: escrevi um pouco sobre leggings, um pouco mais no tópico "A moda grunge" (na parte que fala sobre mulheres) e coloquei mais um gif na matéria.

Vou repetir algumas coisas do começo da retrospectiva/matéria anterior (fiz as 2 em 1 postagem só no "2000's fashion") para a introdução dessa matéria porque também serve para essa de agora (algumas informações são novas):

Não costumo explicar tudo, mas vou explicar o máximo que eu puder dessa vez para o caso de alguém dizer que está faltando alguma coisa (se não quiser muita explicação, pode ir direto para as listas). Nessa postagem vai estar a parte informativa sobre essa época em termos de estilo. Não vou colocar novamente todas as imagens usadas, pois são muitas, tive que agrupá-las no Photoshop, vai deixar a postagem mais longa e essa parte visual já foi explorada ao longo do quadro. Agora eu vou tratar mais da explicação escrita, mas para não ficar confuso, vou dizer novamente o nome das coisas através de listas. Dessa vez, farei 2 listas de todas as peças (ou assunto/coisa que eu achei que dava pra transformar em look) que eram tendências nos anos 90 (as duas listas são um resumo, mas depois das listas, eu vou resumir mais ainda nas escolhas das peças). Ao longo da postagem, vou colocar imagens de algumas peças/coisas das listas (não tudo) para ter esse resumo visual também (na medida do possível), depois vou falar um pouco das peças ou coisas escolhidas das listas (vou fazer um texto sobre cada uma das peças ou coisas escolhidas para ir mais além da lista e é dessas escolhas que me refiro que vou resumir, ou seja, vou escolher uma quantidade menor de peças). Ao começar os textos sobre as peças (ou coisas), pode ser que eu chame também de "tópico" a peça (ou coisa) que eu estiver mencionando. Nem todas as peças que escolhi escrever sobre, são as mais marcantes da década (que resumem bem [na proporção da matéria] a moda da época) e essas menos marcantes foram escolhidas apenas porque não teve espaço no quadro (não deu para fazer no mínimo 1 look) ou porque havia algo que pudesse complementar por texto dentro do prazo para postar. Já outras peças que escolhi escrever sobre, são marcantes sim e foram escolhidas porque apesar de eu ter feito looks com essas peças (com exceção de alguns acessórios), eu também precisava fazer "um resumo das mais marcantes". Ou seja, há muitas peças que também são marcantes que não ganharão um texto sobre, porque foi necessário fazer um resumo disso também (por exemplo, tem 20 peças marcantes e dessas 20, eu escolhi 5), mas estão na lista (provavelmente na lista 1). Essas marcantes vão receber asteriscos na parte em negrito (no "título", no tópico) e quanto mais asteriscos tiver, significa que é mais importante para a década. Por último, vou mostrar itens que encontrei no Stardoll (mas que não pude fazer looks para o quadro) que também podem ser usados para looks anos 90 (sugestões). Vou dar opiniões também e dizem que isso é "menos profissional", mas quando eu postar a retrospectiva, vai ter algumas diferenças. Essa matéria não é exatamente a "totalidade" da moda dos anos 90 (vai ler e entender tudo sobre), mas espero que ajude de alguma forma. Essa matéria está mais para um complemento do quadro, então sugiro que também veja os looks do quadro, caso não tenha visto (clique aqui para ver o quadro completo). Obs.: essas listas foram construídas de um jeito diferente da anterior (da "2000's fashion") porque ela é "mais complexa".



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Lista 1

O que consegui usar (porque são muitas coisas).


1- Formas - Roupas largas e toucas, camadas, cropped, cintura alta e camisa ou casaco amarrado (a) na cintura.


2- Tecido - 2.1- Jeans: mom jeans, calça rasgada, jardineiras, acid-wash jeans e calça bag. 


2.2- Veludo, tecidos transparentes, couro e vinil para looks futuristas e couro em saias e vestidos.


3- Estampa - Xadrez, animal-print (por causa das Spice Girls) e tie dye.


3- Casacos - Blazers de couro, jaquetas de couro, blazers com camisas de botão, ternos com saias, cardigans, camisas xadrez e casacos longos.


4- Blusas - Gola alta, alças finas, camisas xadrez e camisas básicas.


5- Vestidos - Alças finas e vestidos camponesa.


6- Sapatos - Coturnos, sapatos bicos quadrados, saltos com tiras, saltos plataforma e tênis (inclusive tênis com plataforma).


7- Pessoas, filmes ou personagens - Edward Mãos de Tesoura, Winona Ryder, O corvo, Matrix, Clueless, Naomi Campbell, Kate Moss, Spice Girls, Gwen Stefani.


8- Acessórios - Aliens, golfinhos, Yin Yang, smiley face, miçangas de letras e de flores, caneta de pompom, colar de conchas, tattoo choker, colares em camadas, tornozeleiras e brincos pequenos.



9- Estilos (resumo) - 9.1 - Roupas atléticas: jaquetas corta-vento neon, tênis grandes, biker shorts, minibolsas, minimochilas, tanto esportivas quanto casuais.



9.2- Grunge, um pouco hippie, ska-punk, minimalismo (depende de algumas coisas que serão abordadas mais adiante), gótico mais industrial e nu metal.




Lista 2
Coisas que na minha pesquisa diz que eram muito presentes na época, mas que não foram possíveis fazer looks sobre.


Termo supermodelo, emissora MTV, leggings estampadas, logo da Tommy Hilfiger (principalmente em looks esportivos), tube tops, chainmail, corsets, coletes usados como tops, chinelos slide, pulseiras da amizade, colares da amizade, colares de grão de arroz, colares com nomes escritos em cursiva, relógios Baby-G, power Beads, colares com pingentes de cristal, anéis do humor, colares com placa de identificação.


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Destrinchando as listas (dentro do possível)

Recapitulando o que eu disse no começo de maneira mais curta: alguns itens dessas listas não serão explicados em texto, porque como é muita coisa (pode ser até que tenha faltado coisas nas listas), eu tenho que resumir e mesmo escolhendo menos peças/coisas, ainda vai precisar resumir o texto também, mas é melhor do que não escrever nada, tem gente que dedica a vida inteira falando sobre o mesmo assunto, então não tem como esperar que eu faça isso de forma completa em uma única postagem. Os asteriscos significam que a peça/coisa é mais importante.
Como vai funcionar o "destrinchamento": vou explicar fazendo descrições sobre a moda na época em si (anos 90, que é o principal da postagem), mas também fazendo comparações com outras épocas (na maioria dos casos, anos 80 e/ou 2000) para ficar mais clara a diferença e entender melhor os anos 90 (não vou mostrar "na prática como fazer os looks" porque eu já fiz isso no decorrer do quadro, aqui vai ser mais a "teoria"). Em alguns casos vou explicar a origem da peça (quando for uma peça que marcou muito outras décadas também e talvez tenha tido mais destaque ainda em décadas anteriores) ou fazer reflexões (além de apenas descrever como era) ou não serão explicados em texto por já terem sido explicados o suficiente em looks e em imagens (pelo menos eu achei o suficiente, caso você ache que não, complemente essa postagem comentando o que você acha que faltou).





*** Camisas de botões ***

As camisas xadrez eram as mais usadas (não precisava ser exatamente um look grunge, estava em todos os lugares, mas certamente por causa do grunge), geralmente usadas abertas como se fossem casacos, ás vezes com as mangas dobradas ou amarradas na cintura e nas mulheres ás vezes eram usadas como vestidos, enquanto nos anos 80 eram mais usadas fechadas, por dentro da peça de baixo (por dentro da calça, saia, etc), com estampas variadas e ás vezes com mangas bufantes ou ombreiras. Como fã de Michael Jackson, devo dizer que o Michael também seguiu um pouco essa tendência em "Black or White", "Give in to me", no comercial "Dreams" de 1992 da Pepsi e no clipe de "Jam" (nos anos 80, ele usava coisas mais "exageradas" com mais frequência). Apesar da capa de "Dangerous" ser cheia de detalhes e nos shows continuar "o exagero", as pessoas costumam se lembrar mais dos clipes (tinham mais acesso aos clipes). Já em History, ele foi saindo mais desse estilo mais básico (ainda nos anos 90). Ele também usava essas camisas por dentro da calça, mas dá para perceber que usar por fora estava se tornando mais frequente (mostrei ao longo do quadro). Como essa peça é a "marca registrada" dos anos 90 (mais do que outros períodos), então não vou entrar muito na parte de origem, mas eram usadas mais antigamente também (antes dos anos 80), só que não tinham tanto destaque assim (ás vezes eram usadas com blazers, e os blazers escondem as camisas sem estampas ou eram sem blazers, mas fazendo um compilado de looks, tinha outras coisas nos looks que chamavam mais atenção, também não eram tanto "a marca" do rock ao ponto de serem importantes tanto o quanto jaquetas de couro, etc). Nos anos 80, essas camisas eram usadas mais por pessoas que não eram famosas ou até eram famosas, mas estavam em um momento mais comum (ou queria passar mais ou menos essa ideia) ou por bandas mais underground, meio cult ou algo parecido. Já nos anos 90, ficou realmente popular.




*** A moda grunge ***

Nasceu diretamente da cena musical de Seattle e do clima de desencanto juvenil da época, traduzindo-se em um vestuário que rejeitava qualquer sinal de glamour ou esforço estético e abraçava um visual propositalmente desleixado, funcional e confortável. Isso incluía camisas xadrez com botões (geralmente largas e usadas abertas sobre camisetas gastas), jeans surrados, frequentemente rasgados naturalmente pelo uso e shorts cortados de calças antigas. As camisetas eram parte fundamental: geralmente de bandas (principalmente do rock alternativo e do metal dos anos 80), com estampas já desbotadas, ou camisetas lisas e oversized compradas em brechós. Os suéteres e cardigãs de lã (muitas vezes largos, esticados, com bolinhas ou pequenos buracos) se tornaram ícones desse período, muito por influência de figuras como Kurt Cobain. As jaquetas mais associadas ao grunge dos anos 90 variavam entre parkas militares, jaquetas jeans e jaquetas de couro que remetiam tanto ao punk quanto ao rock alternativo, com aparência usada ou personalizada com pins e patches. O layering (sobreposição de roupas) era uma marca registrada (camiseta + camisa de botões + jaqueta era uma combinação comum). Nos pés, o grunge original privilegiava o que era resistente e barato: coturnos militares usados, botas de trabalho como Timberland, e tênis como All Star ou Vans. Meias aparecendo, às vezes descombinadas, também eram parte do visual sem esforço.

A paleta de cores da moda grunge dos anos 90 enfatizava tons escuros, terrosos e desbotados, como verde musgo, vinho, marrom, preto, cinza e vermelho queimado (acho que não respeitei tanto essa regra, mas relevem, tive que fazer looks com as peças que encontrei no jogo). O objetivo não era se destacar por cores chamativas, mas parecer neutro, confortável e, muitas vezes, deliberadamente "desinteressado". A estética não buscava transmitir riqueza, celebrava o desgaste, o improviso e a autenticidade. Representava rejeição ao consumismo, à estética polida da moda mainstream da época, uma oposição natural ao "brilho plastificado dos anos 80" (não concordo que os anos 80 seja "a grande vilã supérflua", inclusive o grunge também tem a sua própria superficialidade, mas enfim, estou aqui para dizer também como as coisas eram).

Também rejeitava padrões de beleza tradicionais. Cabelos desgrenhados, aparência "acordei assim", maquiagem mínima (ou nenhuma), unhas descascadas e um ar de despretensão faziam parte do pacote. Para as mulheres, vestidos florais leves usados com botas pesadas, cardigãs enormes e meias rasgadas se tornaram emblemáticos, especialmente após bandas como Hole popularizarem essa mistura de delicadeza e aspereza. Embora a Courtney Love (vocalista da banda) tenha se envolvido em polêmicas e as pessoas pensem que ela só ficou famosa por causa do marido, o fato é que ela era famosa também (independente da causa) e não estou aqui nesse momento para debater esse tipo de coisa (se as músicas eram boas ou se ela merecia a fama ou não ou algo parecido), mas para explicar a moda na época e que ela também influenciou na moda de alguma forma. O contraste era intencional: fragilidade + peso, romantismo + desleixo.

Quando a indústria da moda começou a absorver o estilo por volta de 1992–1994, especialmente após Marc Jacobs lançar suas coleções inspiradas no grunge para a Perry Ellis, o termo “grunge fashion” passou a circular globalmente.

Daqui para cima, eu já poderia ter terminado a matéria, porque o principal da década é o grunge (já é um resumo), mas vamos continuar.




* Contradições do grunge, "masculino" vs "feminino" e a complexidade dos anos 90 *

Uma análise mais cuidadosa revela várias contradições internas, especialmente quando comparamos o discurso original ao que realmente acontecia na prática e, ainda mais, quando transportamos tudo para a realidade brasileira. Muitos dos itens que se tornaram símbolos do grunge, como o All Star, o coturno militar, a jaqueta de couro ou até suéteres de lã não eram tão baratos assim e tampouco acessíveis para todo mundo. Ainda nos anos 90, tênis da Converse tinham status, custavam relativamente caro para a época e eram populares entre grupos que não tinham nada de “anti-consumo”. Quando o grunge estourou, esses itens passaram a ter ainda mais glamour e foram absorvidos pelas grandes marcas, criando um paradoxo: a estética que dizia rejeitar a moda acabou sendo transformada em um produto de consumo altamente estilizado.

Havia intenção de usar roupas mais "básicas". É mais ou menos como quando você vê um filme com uma família americana que se diz pobre e percebe que essa família é bem mais rica que um pobre no Brasil. Entretanto, também não faz sentido ser anticapitalista. Algumas críticas sobre o capitalismo são válidas, mas querer a extinção dele a qualquer custo também não faz sentido. Seria ótimo que a qualidade de vida dos mais pobres melhorassem, que as coisas fossem mais baratas, mas há jeitos de resolver isso no próprio capitalismo. Não adianta nada (por exemplo) demonizar tudo que vem de fora, principalmente dos EUA (porque você não tem acesso ou os mais pobres não tem acesso) e depois defender impostos nos produtos importados, isso não ajuda a baratear as coisas. Também não adianta nada você criar algo que seja "mais brasileiro" (funk ou sertanejo, por exemplo) que os próprios brasileiros não querem... pelo menos, boa parte não querem. O mercado tem que se adaptar ao público, muito mais do que o público teria que se adaptar ao mercado, a prioridade para quem deve ser atendido é o público, embora precise haver limites também. Nesse caso, defensores do funk (por exemplo) estão sendo até mais capitalistas. Recomendo uma música que aborda essa falta de espaço para outros estilos, a música se chama "Calma negativa" da Aurora Rules (não sei o que eles pensam politicamente, não sou obrigada a saber e não compro "lado" de ninguém, estou me referindo apenas a essa música). Isso é uma crítica mais válida (se é que pode chamar o que costumam fazer nos outros gêneros de crítica de alguma coisa). Mas preferir o capitalismo não é não reconhecer que existem problemas nele, nem ter medo de mudanças ou do futuro, é simplesmente entender que as coisas apresentadas até agora também não são melhores e que é melhor tomar atitudes pensando antes, e não fazer por fazer apenas porque algo novo precisa ser feito.

Faz um pouco de sentido usar o capitalismo "para acabar com o capitalismo", mas o que adianta só fazer sentido e quando você olha para a realidade, nada muda? Não há problema criticar as coisas à sua volta, mas será que está realmente sendo criticado? Por exemplo, se o problema das favelas acabar, não vende mais, por tanto, não fazem críticas sobre essa condição (ou não faz sucesso). Se essa tática (apenas de usar o capitalismo) realmente funcionasse, já teria funcionado e o que viria depois disso não seria muito bom também. "Algum dia vai" não é algo muito concreto, está mais para uma promessa e não é muito realista. Foque no presente (pode ver também o passado, mas foque no presente, certas coisas mudam), olhe para a realidade e veja O TEMPO que as pessoas estão lutando por isso, funcionou? Isso só convence quem é jovem trouxa (não que todo jovem seja trouxa) que acha que é tudo novo ou que "agora sim" vai funcionar. Nosso tempo de vida é curto. Se quer realmente mudar a realidade, então pense em coisas mais concretas, que estão mais ao nosso alcance e que são possíveis de acontecer (ainda em vida). A ânsia de ter e o tédio de possuir faz as pessoas quererem outra coisa (que vai gerar outros problemas) ao invés de resolver o que elas já tem. Isso também é se esquivar dos problemas (mudar para outra coisa totalmente nova).



Então, uma pessoa capitalista pode usar as peças do grunge? Na minha opinião, pode, por causa das contradições. Primeiro, vem dos Estados Unidos e isso por si só já é bem contraditório. Os famosos que são anticapitalistas adoram ir para os EUA, então os (as) capitalistas pelo menos estão sendo sinceros (as). Segundo, além dessa diferença de realidades, será que o grunge é realmente mais básico (na moda ou estilo)? Outro exemplo, só porque a pessoa tem condições de comprar roupas melhores, significa que ela não pode usar roupas confortáveis? Pra mim, isso nunca fez sentido '-' ... São pontos que estou abordando nesse tópico. Mais outro exemplo, ser mais básico, é realmente estar vivendo uma vida menos consumista? É o que vou abordar quando chegar no minimalismo. Por tanto, pode usar (na minha opinião) porque se seguir 100% o que se dizia, vira moralismo de qualquer maneira. Partindo dessas contradições, também já é possível perceber que os anos 90 é complexo, por causa da imprevisibilidade, por não ter respostas tão definidas.

Nessa época usavam camadas de roupas, camadas de colares, tipos diferentes de jeans, roupas mais largas, variações de tecidos e de estampas. Não é nada básico pensando por esse lado (no sentido de ter muitas coisas), diferente do que o grunge quer passar. As roupas mais largas por si só já dão uma característica mais exagerada, mas os outros pontos também reforçam a ideia de ter muitas coisas em um look só, mas porque a pessoa quer. Então além de caro, são muitas coisas. Usar muitas coisas não necessariamente torna alguém mais complexo (mas pode dar a impressão e conteúdos sobre moda, estilo e cia tratam justamente desse tipo de comunicação) e não necessariamente é ser mais consumista (nesse sentido, o grunge parece coerente na sua mensagem até certo ponto), mas como são coisas caras dependendo de onde você está, então acaba sendo. Se a pessoa tem condições de comprar, não tem problema, a questão é pregar um certo moralismo, achar que não está sendo consumista quando está.
Uma parte dos homens continuaram na moda dos anos 90 mesmo nos anos 2000, já nas mulheres se percebia mais essa diferença delas indo cada vez mais para o mais básico, apesar de tudo ter ficado mais básico nos anos 2000 como um todo (incluindo como os homens se vestiam). Ou seja, é uma década que as pessoas consideram masculina. Porém essa "complexidade" também vem muito a calhar para as mulheres, já que elas compram coisas em maiores variedades porque elas preferem ter coisas mais personalizadas (diversos tipos de blusa, por exemplo) e gostam de se enfeitar mais (não que os homens não possam usar várias coisas também, só que os anos 90 também é feminino). Não se trata de substituir masculino pelo feminino e vice-versa, mas incluir (homens no caso, porque isso é mais feminino).
Um ponto que essa mudança de uma década para a outra gerou foi achar que mulheres não podem se sentir confortáveis. Isso pode ser resultado do feminismo, porque elas querem ser reconhecidas como fortes e ao mesmo tempo que é resultado dele, também parece ser algo contra mulheres. Entendo que mulheres precisam trabalhar, mas até a roupa precisa ser desconfortável? 
"Saindo" dos anos 90 (mas já vou voltar, é só um exemplo que vou dar), a moda lolita kei (inspirada na era vitoriana, mais especificamente nas mulheres da época) comprova que se enfeitar é feminino ou pelo menos essa era comprova que já foi assim, pois os homens da época eram bem mais básicos que as mulheres. Sabemos também que não era muito fácil conseguir usar todas aquelas coisas na era vitoriana e esse argumento também é válido (apesar de ser mais básica também não significar que vai ter menos trabalho porque mesmo hoje em dia as mulheres continuam reclamando disso), mas as coisas não precisam ser extremas onde tem que ser uma coisa ou a outra. Se você tira o direito das mulheres de se enfeitar depois delas crescerem (me refiro a acessórios, enfeites mesmo), você pode estar colocando as mulheres em uma posição em que tudo tem que ter uma utilidade e que elas se tornam mais duras consigo mesmas e com os outros. Será que é melhor as coisas serem mais básicas, mas perderem a qualidade? O mais básico é mais acessível e isso é um ponto positivo, mas pode durar menos. Essas coisas podem ser consequências que os anos 90/2000 podem ter trazido.
Também é possível ver essas mudanças na arquitetura (ao longo da história, não apenas anos 90 e 2000) e o brutalismo (um estilo arquitetônico que vai mais nessa direção do básico) parece que perdeu a humanidade, parece sem alma, sem vida e pensando nisso também faz sentido pensar que estamos formando mulheres mais brutas (não pela aparência exatamente, mas no sentido de utilidade dito antes).


Ou talvez as intenções por trás podem não ter sido pela acessibilidade, mas pela incapacidade de acabar com a pobreza e fazendo as pessoas se conformarem com pouco, fazendo elas acreditarem que é legal, dando uma desculpa para fazer coisas simplórias (que é diferente de simples). Respondendo a pergunta "será que o grunge é realmente mais básico?", em comparação com os anos 2000 pelo menos, não é. Não estou exatamente criticando os anos 2000 (embora não seja a minha década favorita em termos de estilo de roupa, eu fiz um quadro só sobre essa década e aprendi a ver um pouco o lado bom), mas estou mostrando algumas hipóteses e em quais pontos a década de 90 pode ser melhor, embora muita gente também critique os anos 80 ou 90. Aliás (só uma curiosidade, se quiserem saber), o nome do quadro "2000's fashion" foi escolhido assim porque é um nome básico tal como a década (o significado é bem mais claro que o nome do quadro atual). Eu também disse que existia minimalismo nos anos 90, mas calma, ainda vou chegar nessa parte e explicar melhor em que aspecto exatamente que o minimalismo entra.


** Jaquetas de couro **

Elas não surgiram nos anos 90, é claro... surgiram em 1920 com os militares, depois passaram a ser usadas por motoqueiros na década de 40 e 50, depois começaram a ser usadas no rock por homens e mulheres (na mesma época, década de 50), mas ela continuou muito presente nos anos 90 (estava se aproximando mais com a moda, mas ainda tinha muita ligação com o rock); já entre 2000 e 2010 o uso das jaquetas diminuiu um pouco (hip hop era a música popular), o uso ficou mais nichado (o rock sempre teve essa busca por ser mais underground, mas nessa época é mais nichado ainda justamente por ter baixado a popularidade), depois de 2010 voltou mais, porém com mais frequência sem necessariamente estar relacionado a rock (talvez o que ainda manteve até hoje foi mais a mensagem de "rebelde", mas sem necessariamente a pessoa ouvir rock e mais acessível a todos, digamos assim).
Existem várias formas de usar a mesma coisa e adicionando outras características dos anos 90, dá pra ficar mais no estilo da década de 90 com uma jaqueta dessas.
Achei importante incluir jaquetas de couro no quadro, não só por causa do rock que ainda era mainstream (além de eu gostar de rock), mas porque também o couro era frequentemente usado em outras peças (não apenas jaquetas), era mais usado em moda (não apenas na música) e era muito usado para remeter a algo mais futurista (geralmente vinil, mas couro também).





* Cardigans *

Em comparação com os anos 2000, os cardigans nos anos 90 eram menos justos (mais frouxos), ás vezes bem mais longos, podia ser colorido, mas geralmente indo para tons mais escuros (não é o caso no filme Clueless naquele look amarelo, mas o blazer esconde o cardigan) e era mais variado em texturas (tecidos diferentes). Não achei pessoas usando bolero (provavelmente tinha, mas como não achei, então acho que era menos frequente). Por tanto, não foquei em boleros, mas fiz um look com bolero que me parece bem anos 90 que é o look com a música Pet Sematary. Já em comparação com os anos 80, os cardigans eram mais ou menos a mesma coisa que nos anos 90 (talvez só as cores que eram geralmente mais vivas), mas os boleros, aí sim tinha nos anos 80, principalmente com mangas bufantes ou ombreiras.




*** Sapatos ***

Os sapatos eram geralmente mais arredondados, fechados e com plataforma, diferente dos anos 80 que tinham mais saltos finos e bicos finos (usados com meias) e diferente dos anos 2000 que eram mais abertos (ás vezes com plataforma também e sem meias). Alguns sites dizem que os saltos com tiras eram usados nos anos 90, mas creio que os coturnos tomaram muito mais o "espaço" da década, se a gente pensar (digamos assim) em "símbolos" (qual é o primeiro sapato que vem na mente? Coturno e All Star, provavelmente) e os saltos com tiras tiveram mais a "sua vez de brilhar" nos anos 2000. Nos anos 90, foi a vez dos coturnos.


Eu sei que a montagem ficou zoada, mas era pra ficar engraçado mesmo. Só faltou uma música que esqueci o nome.


* Blusas de dormir usadas como blusas de sair *

As blusas e vestidos de alça fina foram inspirados nas combinações e camisolas do início do século XX. Nos anos 90, usar blusas de dormir como roupas de sair virou uma tendência forte. Camisolas curtas com renda, alcinhas finas e tecidos escorregadios como cetim e seda migraram para as ruas por causa do minimalismo sensual que dominava a moda da década. Celebridades como Kate Moss e Winona Ryder popularizaram a estética ao misturar peças aparentemente íntimas com jeans (lembrando que "o pico de popularidade" da cintura baixa era maior nos anos 2000), cardigãs largos ou saias simples, criando um contraste entre delicadeza e despojamento. Essa tendência "dialogava" com o clima cultural da época: a estética “natural” e a valorização do corpo. Entretanto, é meio estranho essa correlação para uma época em que também havia o "heroin chic" (vou explicar um pouco o que é isso ao explicar o termo supermodelo)... se mostrar mais o corpo é sinônimo de ser natural, então o grunge estaria se contradizendo mais uma vez, por causa das camadas de roupas, etc, mas enfim... nada contra a alça fina também. Era uma forma de desafiar normas tradicionais sobre o que é público ou privado, transformando uma peça doméstica em símbolo de estilo urbano.


** Blusas de alça fina e vestidos de alça fina **

Estou me referindo a blusas e vestidos mais simples ainda (sem renda ou menos renda, sem tecidos como cetim e seda, sem aparentar tanto com roupas de dormir, mas ainda com alça fina). Ambos muito usados tanto nos anos 90, quanto 2000, mas com a diferença de que nos anos 90 se fazia com mais frequência sobreposições com essas peças. Sei disso porque minha irmã mais velha trabalhava com moda, ela desenhava roupas. Ás vezes eu fazia essas sobreposições (para uso pessoal, eu era criança) e ela dizia que isso estava saindo de moda, mas que não era pra eu me importar com o fato de estar saindo da moda. Os vestidos também são chamados de slip dress (mesmo no Brasil). A versão “vestido para sair” aparece timidamente nos anos 1930, mas só se torna moda mesmo nos anos 1990. Foi popularizado por Calvin Klein, Narciso Rodriguez, Helmut Lang, John Galliano e Jean Paul Gaultier. Kate Moss tornou o slip dress um símbolo dos anos 90 com a estética minimalista/grunge-chic. Entre 1993 e 1999 foi o auge absoluto do slip dress como roupa de festa, street style e tapete vermelho.




MTV (e por qual motivo a estética dos anos 80 continuou presente nos anos 90)

Como o assunto do blog é estilo e moda (principalmente estilo), se tratando dessa emissora, o que mais se aproxima, é a estética. A identidade visual deles é bem flexível e "mutável", então para "descomplicar", eu vou me atentar à uma estética que a MTV também adotou e que é só um detalhe da identidade deles, mas que serve para explicar essa "continuidade visual" nos anos 90. Uma das principais coisas que todo mundo mostra quando fala de anos 80, é o Memphis Design, criado pelo grupo italiano Memphis Milano, liderado por Ettore Sottsass. Essa estética estava presente em objetos, móveis, estampas e roupas nos anos 80. Havia outras coisas também, mas vou usar Memphis como exemplo, para mostrar que tudo estava mais ou menos indo na mesma direção de estilo (bem colorido, etc), que não era algo apenas da MTV, mas era algo da década como um todo e por conta da relevância da emissora, ela foi capaz de "carregar" os anos 80 (também porque fez parte da década) e levar para os anos 90. A emissora surgiu em 1981 e o Memphis Design em 1980. A estética Memphis já apareceu no logotipo da MTV. Muita gente reconhece o estilo Memphis hoje justamente porque viu no logotipo em uma vinheta ou por ser parecido com as identidades visuais da MTV. Apesar da emissora ter inspiração no futurismo e o futurismo também ter conexão com minimalismo (tem aquela vinheta do astronauta na lua), ela geralmente era bem colorida, bem anos 80.
O Memphis Design rejeitava a sobriedade do minimalismo, parecia futurista de um jeito diferente. Ele apostava em formas geométricas irregulares (zigues-zagues, triângulos, círculos, trapézios), cores vibrantes e contrastantes, padrões repetitivos, estética “caótica”, divertida, maximalista, linhas tortastriângulos desalinhados e um espírito lúdico, quase infantil (no sentido de liberdade e experimentação, não de imaturidade). Era essencialmente, um “anti-establishment visual” e era exatamente isso que a MTV queria comunicar. A MTV ajudou a transformar o Memphis Design em movimento pop global. Suas vinhetas eram fragmentadas, saturadas, cheias de sobreposições e dinamismo. Uma verdadeira colagem audiovisual. A logo da MTV aparecia sempre em mutação: cada vinheta “vestia” o logo com padrões, cores e texturas diferentes. Muitas dessas mutações eram grafismos Memphis.
Enquanto o Memphis Design na arquitetura e no mobiliário era visto como ousado e até “estranho demais”, a MTV o transformou em referência cultural, amplificou o Memphis Design fora dos museus e das revistas de design, tornando-o parte do cotidiano visual de milhões de pessoas. 
Esse estilo mais anos 80, continuou muito presente no Brasil durante os anos 90, principalmente porque a MTV só chegou ao país em 1990, trazendo com ela todo aquele visual geométrico, colorido e experimental que já marcava a emissora lá fora desde os anos 80 e ganhando nova vida. Já que estavam começando ainda por aqui, então também faria sentido trazer algo mais voltado ao início da MTV esteticamente. O cenário na abertura também mostra isso. Assim, a estética dos anos 80 permaneceu forte aqui mais tempo justamente porque uma das principais difusoras (a MTV) só entrou no cenário brasileiro depois.
No geral, dá para dizer que foi assim no Brasil por causa da economia do país e do atraso tecnológico no geral (não só MTV), mas resolvi focar nessa emissora porque ela é o exemplo mais claro ligado também à estética e influência. Vale ressaltar que esse texto não é exatamente uma crítica para a "estética do Brasil dos anos 90", são apenas fatos (houve realmente um atraso) e eu mesma amo anos 80, antes que pense "O quê essa doida quer afinal? Ouve synthpop e está reclamando de atraso do Brasil? Minha filha, você "vive" nos anos 80 até hoje!" 

😛

Eu tinha em mente uma ideia para um look a respeito da MTV (de forma mais direta), mas não deu para fazer. De qualquer maneira, a quinta parte do quadro ilustra um pouco (de forma indireta) em alguns looks esse estilo "mais MTV" ou "mais anos 80".




New Jack Swing

Nos anos 90, o New Jack Swing (gênero musical que tem R&B, Hip Hop, Swing Jazz, Synthpop, etc) também influenciou a moda da década. O álbum "Dangerous" do Michael Jackson tem músicas de New Jack Swing. Como mencionado anteriormente, Michael ficou mais básico na era "Dangerous", mas a irmã dele (Janet Jackson) que é uma das principais artistas do gênero, tem o primeiro álbum de destaque em 1986, então houve essa mistura entre anos 80 e 90 por conta disso também, apesar da MTV ter influenciado bem mais. Muitas outras coisas podem ter influenciado em escala menor igual o New Jack Swing, mas estou fazendo um resumo e já que citei o Michael na postagem antes, resolvi citar aqui também. 


Minimalismo dos anos 90 e contradições do minimalismo

Comparando com os anos 80, pode se dizer que a década de 90 foi mais minimalista, por ser menos colorida, por não haver tanto o Memphis Design (dependendo do nicho cultural, como expliquei antes) e por haver peças menos exageradas (sem mangas bufantes, ombreiras, etc). Esse minimalismo também é percebido na subcultura gótica, que estava mais industrial (nos anos 80 era um gótico mais tradicional, mais pós punk) e nos anos 2000 o gótico continuou industrial, mas ficou mais nichado (o gótico, não o minimalismo). O filme Matrix tem uma estética gótico industrial e é um dos filmes mais conhecidos dos anos 90, o que quer dizer que essa estética estava forte e influenciou na estética do filme. Roupas muito coloridas costumavam estar mais presentes nos looks esportivos e ás vezes eram multicoloridos (fiz looks assim no quadro, dê uma olhada para entender o que estou dizendo), que são pedaços das roupas com cores diferentes, por exemplo, a roupa tem dois bolsos; um bolso é de uma cor e o outro bolso é de outra cor (na mesma peça). Roupas coloridas dessa forma são um pouco mais minimalistas do que a estética Memphis, apesar de serem roupas coloridas também. Designers como Calvin Klein apostavam na simplicidade sofisticada. O slip dress por si só já torna essa década mais minimalista. 
Agora seria nessa parte do texto que eu teria que defender o minimalismo contrapondo o tanto de coisas que existia nos anos 80, mas quem me conhece sabe o quanto eu gosto dos anos 80, então se me perguntassem "Tempt, por que os anos 90 ficou mais simples que os anos 80?" eu até sei a resposta pronta, mas não concordo tanto com ela, então se fosse pra responder com base na minha opinião, a resposta seria:

Mas gosto de ambas as décadas.

Para quem quer a resposta pronta, geralmente é dito que a década de 80 era mais artificial (em geral, por causa do synthpop), que as roupas eram muito exageradas e que tinha excesso de coisas, resumindo é isso. Eu até entendo o lado positivo de ter uma vida mais simples, mas acredito que o lado positivo seja o de não viver em uma correria (quando vai mais para o sentido de natural ou natureza e deixa o trabalho pelo menos um pouco de lado), até um pouco ligado à infância também e não meramente "excluir do universo" tudo que parece desnecessário, viver com pouco ou outras ideias do mesmo tipo. O grunge também remete à natureza, campo, mas em relação aos anos 80 estavam errados (sobre o desnecessário) e o grunge também é uma ideia vendida, também é capitalista (e pra mim não tem problema). Para muitas pessoas, a natureza também é desnecessária, ficando apenas as construções e em muitas dessas construções há apenas o necessário também. Ao invés de definir um lado político para cada coisa (porque isso que é a verdadeira manipulação), devemos levar em conta a essência da coisa e isso poucas pessoas fazem. A essência do grunge não é anti-capitalismo (o lado político), mas a questão da simplicidade mencionada anteriormente como boa e menos preocupação com a aparência no sentido de conforto (resumindo). Há cuidado com a aparência sim, mas unindo à conforto. Porém, para fins "mais didáticos", eu coloquei no segundo tópico intitulado de "A moda grunge" que o grunge é anticonsumo para entender o lado político na época (fatos também são importantes, mas também tem que levar em conta o local e o período, se faz sentido com outros locais e períodos, etc, e não ficar preso na fase inicial política e local inicial, isso não é cobrar políticos) e agora estou explicando a essência para ajudar a pensar por conta própria. Por exemplo, a essência do punk é o anti-autoritarismo e qualquer lado pode ser autoritário. Se em um determinado local e período houve autoritarismo e você é contra, ok, naquele período e local fez sentido, mas se a partir de um determinado momento o grupo no qual você está vira autoritário e você continua nele, então você não é mais contra autoritarismo. Não sou a única pessoa que pensa assim, mas concordar com alguém não necessariamente te faz "pensar menos", o que faz "pensar menos" é a idolatria (que tem tudo a ver com "o lado que você está").
Respondendo a pergunta "ser mais básico é ser menos consumista?", se só o que é necessário é importante, você vai demorar menos tempo preparando alguma coisa e quando você terminar, será liberado? Não, você vai ter que ficar o mesmo tempo e isso pode significar que você tem que ser ainda mais eficiente (quando se pensa em entregar rápido o produto, não a durabilidade do produto), então também vai haver mais descarte, mais objetificação (não necessariamente apenas a objetificação feminina), mais exigências, mais produção em menos tempo (o que também significa mais consumo), daí a sua busca por parar de correr (ou para os anticapitalistas [que não é o meu caso], sair do capitalismo) volta à estaca zero. Se quer produzir mais, tudo bem, faça o que quiser, mas também não cola muito o papo de que é anticapitalista ou coisa parecida (pelo menos no Brasil, não). O "capitalismo malvadão" faz as pessoas trabalharem por hora e isso "é muito horrível mesmo" porque "o legal é ficar o dia inteiro trabalhando sendo CLT" (contém ironia). Fazer algo esteticamente mais minimalista, ainda continua sendo uma estética, as pessoas compram e levando em consideração também o tempo, na prática não muda muita coisa (e ainda fica feio na maioria das vezes na minha opinião, mas no synthpop fica legal). Gostar da estética anos 80, não significa que a pessoa desconhece as tragédias que ocorreram na época. As pessoas precisam das duas coisas; precisam de um local e de momentos onde elas não vivem o tempo todo correndo (geralmente a casa, não só a parte de dentro da casa, mas também o local onde está a casa) onde há coisas desnecessárias, há distração (descanso, conforto) e também um local onde elas trabalham porque é necessário, porque é a realidade e não tem como sair literalmente dela (locais separados, mas que é possível transitar entre os dois). Conforto que quero dizer não é exatamente no sentido de riqueza (esse significado é mais moderno), mas no sentido mais puro da palavra (consolo, alívio, etc), no sentido emocional que a casa desperta e a representação da casa. A "sua casa" pode não ser a sua casa de verdade... quando alguém diz "se sinta em casa", a pessoa está dizendo que você pode ficar à vontade, ou seja, está diretamente ligado ao conforto. Riqueza pode proporcionar conforto e mais um monte de outras coisas (o que a pessoa que tem dinheiro quiser)... tem ligação, mas está um pouco mais distante do significado puro de conforto. O grande problema do funk carioca (por exemplo), não é que as pessoas não possam se distrair, mas que é vendido como realidade e como busca por mudança com um viés otimista que não traz solução coletiva e na verdade no geral você tem que escolher ou um ou o outro (ou faz um negócio bonitinho e diz claramente que não é realidade ou mostra a realidade falando mal mesmo) e não os dois numa coisa só de forma tão confusa (pelo menos quando essa realidade é ruim). No synthpop (e derivados), as pessoas SABEM que é um futuro fictício.



* Termo supermodelo *

A primeira utilização do termo foi nos anos 40 (antes eram apenas manequins), mas alguns sites dizem que esse termo só ficou popular nos anos 80 e outros dizem que foi nos anos 90. Uma supermodelo é uma modelo de elite, internacionalmente famosa, com alto poder de influência e de negociação, cujos nomes e imagens são selos de qualidade na indústria. Naomi Campbell, Cindy Crawford, Kate Moss e Linda Evangelista são algumas das supermodelos dos anos 90. Existia na época uma estética chamada “heroin chic” que fazia referência glamurizada da aparência de quem era usuário de heroína. Obviamente, não acho legal glamurizarem isso, mas fica aqui a informação também. Lembrando, eu estou resumindo tudo, eu poderia fazer uma postagem inteira bem grande para cada coisa das listas, mas eu demoraria sei lá, 1 ano para completar tudo.


Coletes usados como tops

Vi em um lugar dizendo que nos anos 90 existia essa tendência (mais especificamente nas mulheres). Não encontrei muitos sites afirmando isso, então suponho que seja algo menos marcante da década. Embora não fossem “a peça da década”, eles podem ter aparecido em três frentes importantes:

1- Moda inspirada no grunge / alternativa (propositalmente “bagunçado”, misturando peças formais com despojamento).

2- Moda minimalista / estética andrógina (já que estavam tentando parecer diferente dos anos 80).

3- Cultura pop (meio “sexy tomboy”, feminino, mas com toque masculino).

Mas o maior momento histórico do colete como top nas mulheres foi nos anos 70 (era comum usar coletes justinhos, de alfaiataria ou tricô, sem nada por baixo), apesar de em um contexto geral, a década de 70 ser bem menos minimalista que os anos 90 (é que a peça sozinha é minimalista, mas dependendo de outras coisas não fica tanto). Também dizem que houve um revival da peça nos anos 2000.


Leggings

Nem estão na lista (e seria meio difícil encaixar de forma harmônica), acho que é um detalhe a mais. Nos anos 80, eram mais usados com maiôs por cima (principalmente para fazer exercícios). Na década de 90, eram mais vistos com sweaters (sem intenção de se exercitar), embora o biker short fosse mais usado.



Tube tops

Em português, é o "tomara que caia", mas esse nome é meio estranho, prefiro "tube top". Eu ia fazer um look anos 2000 com esse top, não foi possível, daí eu disse que iria fazer um look anos 90 com o top, também não foi possível, enfim... estou colocando aqui na matéria apenas para informar que a peça serve para as duas décadas. Foi muito usado nos anos 30, 50, 90 e 2000 (me refiro aos mais largos, acho que biquínis variam um pouco mais as décadas).


* Outros tipos de blusa *

Blusas no formato das blusas abaixo (que é sem manga, mas não é alça fina ou que parece mais coberto nessa região indo mais para o pescoço) também eram bastante usadas. Nos anos 2000, ficou mais só as blusas de alça fina mesmo (sem camadas), mas ás vezes usavam esse tipo também. Nos anos 90, tinha mais também blusas que eram no formato gola alta, mas que era alça fina, como a blusa no look "Different like 90's #22 - Multi layer necklace".




Chainmail

Eu já tinha feito look com esse tipo de blusa no quadro "2000's fashion", não achei o nome em português do tecido, mas alguns sites dizem que já usavam nos anos 90. No quadro mais antigo (dos anos 2000) chamei de "blusa frente única". Pra mim, tem muito mais cara de anos 2000.


* Chinelos slide *

Também marcante, mas não consegui fazer algum look.

Surgiu nas décadas de 1960/70, criados como calçado esportivo para pós-treino. O modelo mais famoso é o Adidas Adilette, lançado oficialmente em 1972 na Alemanha. Nos anos 70 e 80 eram usados por atletas e nadadores; quase sem apelo fashion. Nos anos 90 começa a aparecer na moda de rua, especialmente nos EUA, por influência do esporte, hip hop e da estética “casual esportiva” da década. Nos anos 2000 tem presença discreta, mais associado a academia. Entre 2010 e 2020 teve um revival gigantesco com streetwear, Athleisure, Rihanna x Puma (2016), Adidas e Nike relançando modelos.


Acessórios


Primeiro, vou escrever sobre alguns dos acessórios que consegui usar (no caso, os mais populares entre os que usei em looks), depois sobre os que não consegui, mas que também representam a década.


 ** Acessórios que consegui utilizar **


Já logo de cara, posso dizer que nos acessórios, os anos 90 pegou muita coisa "emprestada" dos anos 60 e 70. Se for para resumir, então eu diria que os acessórios dão uma cara de "gótico hippie", embora o punk tenha surgido se opondo ao movimento hippie, mas nos anos 90 se tratando de moda, houve a intenção de misturar mais as coisas (nos acessórios, pelo menos). Começando pelo tattoo choker, inspirado em gargantilhas vitorianas, repaginado no punk dos anos 80 e que teve seu auge nos anos 90. É o acessório que mais marcou a década, era fácil de achar em qualquer loja popular. Depois vem o colar de miçangas de flores, que tem origem estética hippie dos anos 60 e 70 e voltou nos anos 90 (influência também pelo DIY). Já colar ou pulseira de miçangas de letras tem origem no artesanato infantil dos anos 70 e 80, mas o auge foi nos anos 90.
Vou abordar agora sobre acessórios que consegui utilizar que também podiam estar nas roupas ou qualquer outro lugar, mas que também eram muito utilizados como acessórios (pulseiras, anéis, colares, brincos, etc). Começando pelo Smiley Face, criado em 1963 por Harvey Ball e que retornou nos anos 90 pelo rave culture. É associado à positividade e ao dance/techno. Haviam também muitos acessórios com golfinhos, que tem origem pela moda “oceânica” vinda dos anos 80 (surf, Malibu, Delia’s), mas o auge foi nos anos 90. Simbolizavam suavidade, espiritualidade e estética “good vibes”. Tinha também o símbolo Yin Yang, criado na filosofia chinesa milenar; que entrou na cultura pop via contracultura dos anos 60 e 70 e que volta à moda nos anos 90. Por fim, acessórios com aliens eram usados por causa de “Arquivo X” (1993), do filme “Independence Day” (1996) e da ascensão do estilo "Cyberpunk" que estava em voga com a popularização da internet, da tecnologia e do prenúncio do novo milênio. Casos notórios de OVNIs e alegações de abdução recebiam cobertura midiática (como o caso do ET de Varginha de 1996), alimentando o imaginário popular.
 



Acessórios que não consegui utilizar

Tem muitos outros acessórios que eu pretendia usar itens do jogo que lembram tais acessórios, mas o tempo foi curto e acredito ter usado os acessórios principais (são bem anos 90). Logo abaixo haverá textos sobre os acessórios que não consegui utilizar e também vou fazer um "top 8" desses acessórios, sendo no primeiro lugar o mais desejado (no sentido de compra, consumo) e no oitavo lugar o menos desejado (esse top 8 pode variar dependendo dos critérios de cada pessoa, mas é mais ou menos isso). Os que "receberam o asterisco" tem mais a ver com representatividade e marca do que com ser desejado. Lembrando que os acessórios que eu consegui fazer looks com eles durante o quadro "Different and normal like 90's" representam muito mais os anos 90 do que esses 8 abaixo sem looks. Ou pelo menos os acessórios que há looks com eles (veja o quadro clicando aqui), são os acessórios que as pessoas mais mostram (em geral) hoje em dia se referindo aos anos 90.


* 1- Relógios Baby-G *

Tenho uma vaga lembrança de ver minhas irmãs usando um relógio desses. Foi lançado em 1994 no Japão pela Casio, como versão feminina dos G-Shock. Tinha nas cores neon e eram transparentes. Tinha visual esportivo futurista e eram resistentes a impactos. Foi febre mundial entre adolescentes e pré-adolescentes nos anos 90. Coloquei em primeiro lugar porque apesar de terem sido caros, as pessoas queriam ter. Provavelmente, até eu queria ter um, mas eu não sabia nem contar até 10 e se me perguntassem minha idade, eu não saberia dizer também.


2- Pulseiras e colares da amizade

É uma tradição indígena e folclórica muito antiga da América Central (como as fitas coloridas maias), mas o formato moderno surgiu nos anos 1970 e só popularizados nos anos 80 entre pré-adolescentes nos EUA, especialmente pulseiras feitas à mão (macramê). Tornaram-se febre global nos anos 90; no Brasil, era comum ter pulseiras trocadas entre amigos da escola. A frase “Best friends forever” ou a abreviação "BFF" virou cultura pop teen nos anos 2000 e colares separados em duas metades (coração partido) estavam na moda. Coloquei em segundo lugar porque embora sejam baratos (também pode ser justamente por isso que compravam muito), acho que meninas compravam um pouco mais e quando é algo para meninas também compram mais por causa disso.


3- Colares com nomes escritos em cursiva

Acredito nessa tendência porque quando eu era bem pequena, eu tinha uma pulseira de ouro com meu nome (acho que deve ter ocorrido o mesmo com pulseiras) e minhas irmãs também tiveram. Teve origem na década de 1970. Começou a ficar popular entre jovens afro-americanas e latinas nos anos 80, especialmente em comunidades urbanas onde a personalização era símbolo de identidade. Voltou com força enorme nos anos 90 e 2000 por causa da cultura pop (celebridades e TV). Explodiu mundialmente depois de 1998/1999 com Carrie Bradshaw em “Sex and the City”, que transformou o acessório em ícone fashion.


* 4- Power beads *

São pulseiras feitas de pedras naturais (é diferente da Swarovski [pra quem acompanhou o "2000's fashion"], não só o material, mas aparência também, Swarovski brilham, power beads são opacas). Não encontrei um nome oficial em português para as power beads. Foram criadas no final dos anos 1990 nos Estados Unidos, associadas à onda “zen”, espiritualidade pop e influências da medicina alternativa que estavam em alta nos anos 90. Por volta de 1997/2000, foram uma febre entre adolescentes, segundo a mídia da época. Vendidas em quiosques de shopping, farmácias, papelarias, surf shops (muito acessíveis). Cada cor representava um “poder”: paz, amor, coragem, proteção, boa sorte, etc. Teve um pequeno revival com vibe “boho” nos anos 2010.

No lugar da espada, seria a pulseira. 😛 Eu ia colocar gif da Sailor Moon, mas esse está até escrito.


* 5- Anéis do humor *

Foram inventados em 1975 por Joshua Reynolds e Maris Ambats em Nova York. São cristais líquidos que mudam de cor com a temperatura do corpo, supostamente revelando emoções. Viraram febre imediata em 1975–1977. Voltaram nos anos 90, quando acessórios mágicos e itens “que mudam de cor” estavam em alta. Coloquei em quinto lugar por não terem sido algo tão novo, nem tão "exclusivo de menina" (então eram relativamente menos desejados... relativamente porque eram bastante comprados sim para ambos gêneros, eram fáceis de comprar e tem o diferencial de mudar de cor, mas estou comparando com os outros acessórios também), mas é algo bastante lembrado (por isso o asterisco). Reapareceram entre 2010 e 2023 como item de nostalgia e estética e-girl.


* 6- Colares com placa de identificação (dog tags) *

Tem origem dos exércitos do século 19 (a partir de 1860). Entrou na moda civil apenas no final dos anos 60 e começo dos 70. Estava muito presente na cultura pop dos anos 90 (hip hop, MTV, skatistas, etc... muitos adolescentes usavam).


7- Colares de grão de arroz personalizados com nome

Surgiu aproximadamente nos anos 1970, como artesanato turístico na Ásia, especialmente Índia e Tailândia, onde artesãos escreviam nomes em grãos de arroz como demonstração de habilidade. Tornaram-se item turístico em feiras hippies dos anos 70 e 80. Chegaram fortemente ao Ocidente nos anos 90, quando colares com líquido transparente estavam na moda. No Brasil, viralizaram nos anos 90, vendidos em feirinhas, parques de diversão e shoppings.


8- Colares com pingentes de cristal

Uso espiritual e ornamental desde épocas antigas (Egito, Roma, tradições pagãs). Versão “moderna” surgiu nos anos 1970 (cultura new age). Com a onda esotérica teen, Wicca pop, astrologia e moda boho, colares de cristal voltaram com força nos anos 90 (eram looks mais casuais ou meio góticos com os colares). Já nos anos 2000, foram mantidos apenas no estilo boho/indie. Entre 2010 e 2020 continuaram nos conteúdos da internet que envolvem o místico.


Parte extra da matéria 

Mostrarei mais itens xadrez que combinam (que não consegui utilizar) e que não combinam com anos 90, começando pelo o que eu já tinha no meu guarda-roupa, depois o que encontrei no Starplaza (um resumo). É claro que xadrez não é a única coisa que usavam. Deve ter muitos outros itens disponíveis no Starplaza que lembram os anos 90 e que não são xadrez, mas como preciso resumir, então vou prestar mais atenção no principal, que é o xadrez. Não vou mostrar itens no Starbazaar porque necessitaria de muito mais tempo de pesquisa e alguns itens que usei no quadro já foram comprados no Starbazaar ao longo do tempo (não vou lembrar quais são). Clique nas imagens para ampliar um pouco mais.


Itens que podem combinar (guarda-roupa)



Essas imagens do Starplaza são da loja Subcouture. Não estão mais disponíveis no Starplaza, por isso coloquei nessa categoria de itens do guarda-roupa. Me refiro a saia verde e azul, o vestido xadrez, a blusa xadrez, no mesmo manequim da blusa xadrez os sapatos vermelhos e a calça.



Agora são itens do meu guarda-roupa mesmo.


Itens que podem combinar (Starplaza)




Itens que provavelmente não combinarão (guarda-roupa)



Nesse primeiro grupo de itens que não combinam, se a sua intenção é fazer algo mais no estilo "Clueless", pode talvez dar certo, mas se for algo mais grunge, é mais difícil.



Itens que provavelmente não combinarão (Starplaza)



Porém...

Perceba que os itens que selecionei como itens que combinam e os outros que selecionei como itens que não combinam, não são regras absolutas, estão mais para tendências (se você quer que pareça o máximo possível com os anos 90, que fique o mais claro possível), mas nada impede de usar um item que combina com a década e fazer um look totalmente diferente dos anos 90 (por causa da soma dos itens e porque no total não foi o que predominou) ou usar um item que não combina, mas conseguir fazer um outfit que parece que acabou de sair de lá. Para explicar melhor isso, também vou dar alguns exemplos de itens que fiz looks para o quadro com eles, mas que servem para outros tipos de looks:



Os itens acima poderiam estar em looks anos 60 (talvez o vestido rosa lembre um pouco anos 80 também, acho que é mais 60), mas eu usei no quadro a blusa rosa e o vestido azul/verde, ou seja, depende de como você vai usar.



Essa saia poderia estar em um look hippie, mas também usei no quadro.



Esses itens combinam mais com punk, mas é possível usar em outros estilos (incluindo grunge).

Tenho outros itens xadrez, mas vou tentar fazer looks com eles em 2026 e não quero dar spoilers, rsrs.


Piada

Para concluir com humor, o vídeo abaixo me lembrou minhas escolhas de estilos de cabelos para os quadros "2000's fashion" e "Different and normal like 90's", então acho que vale a pena mostrar. A mulher arrumando o cabelo "é os anos 2000" e a outra mulher bagunçando o cabelo dela "é os anos 90". Pronto, um vídeo traduzindo as duas décadas :v (estou brincando):





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