É uma retrospectiva (não deixa de ser), mas dei nome de "experiência" porque é mais focado nisso e porque também haverá outra retrospectiva além dessa. Focar em looks específicos também é uma experiência de certa forma, mas nessa postagem vou tentar fazer isso (descrever a experiência) de uma forma mais ampla.
Vai ser um pouco diferente das anteriores (da penúltima para trás) porque os looks feitos para o quadro não tiveram "um grande significado" ao prepará-los (por cada item ou até o look por inteiro), eu simplesmente os fiz de acordo com a época (anos 90), adaptando ao meu estilo, tentando deixar tudo harmônico (combinando) e é só isso, mas acho que posso contar de uma forma mais geral minha experiência fazendo esses looks. Em outra postagem (uma retrospectiva parte 2), vou fazer o "detalhadamento tradicional dos looks", mas acho que em número de looks e de tamanho de texto, vai ter muito menos looks com texto relativamente grande ou médio do que costumava ter nas retrospectivas mais "tradicionais"... não chegaria nem na metade que costumava ter (só 1 ou 2 looks podem ser que isso aconteça). Nessa postagem de agora, vou deixar opiniões mais pessoais ainda acerca de alguns tópicos da matéria. Sim, na matéria também deixei minhas opiniões, mas eu estava opinando sobre determinadas coisas como se eu estivesse [um pouco] "de fora", relatando fatos externos (que aconteceram independente da minha existência) e o que seria supostamente mais lógico pensar sobre esses acontecimentos do passado ou pelo menos o que faz sentido pensar sobre esses acontecimentos na minha opinião (isso não é tããão "de fora" porque ainda continua sendo minha opinião, mas acho que vai dar para perceber um pouco a diferença comparando com essa postagem). Não que não seja possível ficar "de fora" no presente também, mas no caso, é isso. Já aqui eu vou "me colocar" mais e na minha própria situação, por exemplo, se eu sou "assim ou assado" ou como me sinto sobre, etc. Pode parecer meio bobo explicar isso, mas existem pessoas que não sabem a diferença e que acham que é tudo uma questão de opinião (que a verdade pode ser "completamente moldada" ou que não tem como a realidade mudar a visão de uma pessoa [se a pessoa tiver uma opinião sobre uma coisa, ela terá para o resto da vida com 100% de garantia, não importando o que aconteça] ou coisas parecidas), então estou explicando que mesmo uma pessoa dando opinião, pode existir sim algo "de fora" (ao mesmo tempo), coisas que existem além da pessoa em algum nível (até aqui nessa postagem, mas no geral vai dar para perceber que aqui será mais subjetivo). Algumas coisas beeeem pontuais na matéria, até são minha experiência sim, mas na matéria eu uso a minha experiência apenas para justificar a lógica, o motivo de determinada coisa estar em determinado lugar na matéria (é só para reforçar que tal coisa era tendência). Aqui eu estou relatando a minha experiência fazendo o quadro e para quem quiser saber de fato uma opinião mais pessoal (não como era a década em si exatamente, mas como está sendo o "evento Different and normal like 90's" para mim, etc).
O que aprendi de positivo com essa experiência
- Percebi que looks com significados, apesar de trazer benefícios (explicados mais adiante), podem trazer um certo cansaço mental (mas era algo que eu não percebia, se deixar eu fico fazendo mil reflexões, totalmente na paz, na maior calma, sem pressa) e durante o quadro, eu meio que descansei disso porque eu fiz looks em uma "grande escala" (tentar mostrar tudo da moda de uma década inteira em pouco tempo), ou seja, não teria como mesmo que eu quisesse. Não estou dizendo que não gosto do que faço, mas cada maneira de fazer um look, traz "cansaços diferentes" e no caso do look com significado, é mais isso que pode acontecer fazendo os looks. No caso dos looks do quadro, são looks mais leves no aspecto mental, mas meu braço "doía" (não sei a palavra certa porque também não era como se eu não pudesse aguentar) com mais frequência por fazer mais rápido. O fato de eu ter estabelecido certos padrões (com a ajuda dos que já existiam na época) tornou mais fácil produzir mais looks também. Tentar colocar esses padrões no seu estilo como um todo é mais difícil (para uma pessoa que gosta de muitas coisas, como eu [só que eu não sou tão indecisa quanto parece]), mas facilitaria na produção também. Eu já sabia mais ou menos que ficaria mais fácil desse jeito (escolhendo os padrões), talvez até antes de entrar no blog, mas antes estava mais para uma coisa que eu tinha um certa noção (mais impessoal) e não uma experiência em larga escala (é sério, caso não tenham feito desse jeito ainda, tentem [sugestão], é completamente diferente) e também dá a sensação de "missão cumprida" com mais facilidade. Só não façam como eu que não reconheci meus limites e deixei meu braço doendo, kk. Levem em consideração apenas a parte positiva.
- Notei formas diferentes de deixar looks diferentes um do outro, ainda mais podendo repetir itens. Looks com poucos itens ficam diferentes se você tiver muitos itens no guarda-roupa (isso ficou mais evidente no quadro "2000's fashion") e looks com muitos itens ficam diferentes porque mesmo que você repita algum desses itens em outro look (mas eu não costumava repetir antes dos looks anos 2000), esse outro look vai estar com outros itens também, com outra combinação do item usado antes, ou seja, pode ser relativamente fácil também no objetivo final (deixar cada look diferente um do outro), mas pode ser mais difícil no processo (mais demorado) que looks com poucos itens, ainda mais se vier acompanhado de significado (mas não foi o caso no quadro atual). Embora eu já soubesse que looks com muitos itens são mais facéis de ficarem diferentes um do outro, isso pode ter sido reforçado na minha mente, porque me permiti repetir itens e eu não tinha reparado a diferença entre o objetivo final e o processo. A parte positiva seria ter notado as diferenças (eu acho '-').
- Percebi que looks com significados, costumam carregar mais importância para quem os criou já desde o momento que estão sendo produzidos e não repetir itens é uma forma de "preservar" o significado. Por conta disso, eu já deixei de usar itens para "usar no momento certo". Eu já sabia que essa demora para usar os itens era um problema, mas não sabia como resolver (significados ajudam a se conhecer). Em parte, não sei até hoje (como resolver os dois ao mesmo tempo, no caso). Eis a possível solução para quem tiver "medo" (no sentido figurado, não é medo de verdade) de usar os itens também: tente sair da zona de conforto e trate isso como apenas uma experiência. Não sei exatamente como vai ser essa "dinâmica" daqui para frente, mas pretendo unir as duas coisas (looks com significados, mas sem dar tanta importância ao ponto de não conseguir usar os itens) porque o excesso de sair da zona de conforto traz problemas também, pode (não estou dizendo que aconteceu isso comigo, estou dizendo que pode acontecer com todo mundo que pratica isso em excesso; eu venho refletindo sobre isso desde o começo do "2000's fashion" e mais ainda no "Different and normal like 90's") caracterizar perda de identidade, não se reconhecer mais, estar "fora de si", viver no automático, etc. Porém, no meu caso, acho que foi uma mudança benéfica.
Dificuldades
Para mim, foi mais fácil fazer os looks do "Different and normal like 90's" do que do "2000's fashion" porque eu já tinha uma certa afinidade e porque embora nos looks do penúltimo quadro fosse mais fácil usar itens diferentes de um look para outro (por usar menos itens), tinha que escolher bem para não ficar básico demais. Se ficasse muito básico, não podia solucionar a todo momento simplesmente adicionando mais itens. Se ficasse muito difícil, eu usava acessórios que não cobrissem muito, mas ás vezes isso não era o suficiente também, daí eu geralmente trocava de item (ns). No quadro atual, como não pensei também em significados, então o nível de dificuldade dos looks dos anos 90 diminuiu mais ainda. No sentido figurado, era como se "meus dedos coçassem" para colocar mais itens no penúltimo quadro, kkk. Acho que posso ter tido alguns tiques nervosos sem perceber naquele período no começo.
As partes do "Different and normal like 90's" são bem distintas uma da outra para mostrar a amplitude da década, diferente do "2000's fashion" que é mais coeso e as partes só são definidas pelo tempo que foi produzido (é porque eu não pude fazer tudo no mesmo período), ou seja, cada parte apenas denota que os looks foram produzidos em um tempo diferente da parte anterior, só isso, já no quadro mais atual (dos anos 90), não. Por causa dessa distinção das partes do quadro atual, é possível ranqueá-las no nível de dificuldade (de acordo com a minha experiência). Vou começar pelo mais difícil (primeiro lugar) até chegar no mais fácil (quinto lugar), depois vou explicar os motivos das colocações. Então o ranking fica assim:
1- Segunda parte (animal print).
2- Terceira parte (skirt suit).
3- Quinta parte (meio anos 80 e 70).
4- Primeira parte (aspectos principais).
5- Quarta parte (grunge).
Em primeiro lugar de dificuldade, coloquei a segunda parte porque (já dá para imaginar o motivo) esse tipo de estampa é difícil de combinar, até mais que o xadrex e eu tinha que fazer os looks parecerem dos anos 90 (entre as 5 partes, essa é a que menos tem a ver com a década, embora tenha um pouco a ver, mas é só um pouco), além de não combinar muito com o meu estilo também (mais kawaii), porque eu tentei colocar um pouco do kawaii em alguns looks do quadro em geral, mas de forma bem discreta, nem dá pra perceber direito. Está aí outro desafio, usar animal print em looks kawaii, quem sabe... Foi difícil usar o animal print em looks dos anos 90, principalmente porque essa estampa deixa facilmente os looks mais ousados, mais sensuais, mais adultos e essa época estava ficando mais minimalista, então eu tive que unir duas coisas teoricamente meio opostas.
No segundo lugar do ranking, escolhi a terceira parte porque são looks mais formais, mais básicos e quem me conhece sabe que isso não tem muito a ver comigo, então também foram looks bem fora da zona de conforto. Só não foram mais difíceis ainda do que poderiam ser (ao máximo) porque a época tinha uma vibe meio despojada ou casual (por isso usei jeans muitas vezes) mesmo com peças elegantes. Até existia looks elegantes no nível máximo, mas eu também precisava adaptar ao meu estilo e esse despojamento também existia na época. Essa coisa de misturar elegância com o casual também era algo presente nos anos 80 (não era tão mainstream), mas nos anos 90 isso ficou ainda mais notório, já que a década de 90 como um todo estava indo nessa direção mais minimalista. Mesmo não sendo elegante ao máximo, foi difícil porque também precisei unir coisas diferentes que não estou acostumada.
Em terceiro lugar ficou a quinta parte porque embora eu goste muito dos anos 80 (mais que os anos 70, mas gosto também), eu tenho o hábito de ser literal (ás vezes até acham que eu estou "fantasiada" por causa disso) e na quinta parte a intenção foi justamente não ser literal, ou seja, completamente fora da minha zona de conforto. Transformar tudo em casual é bem característico dos anos 90 e também não era diferente quando se inspiravam em décadas passadas, era sinônimo de ser atual, tratavam isso como se estivessem "atualizando décadas anteriores". Nos anos 2000 isso praticamente nem existia (transformar em casual), porque era de fato casual (na maioria dos casos). De 2010 pra cá, essas transformações voltaram, de certa foma (talvez com menos foco no casual e na minha opinião, é melhor). Não coloquei a quinta parte em segundo lugar porque os anos 70 e 80 (principalmente 80) já era algo que estou familiarizada na vestimenta (quero dizer, essa parte mais literal), diferente dos blazers. Já o animal print, eu já sabia que era muito usado nos anos 80, mas era uma coisa em particular que eu não usava (se eu tivesse feito um quadro da década de 80 com certeza estaria lá, mas não vou criar um quadro para isso porque eu já fazia looks da época... de forma mais devagar, mas fazia) e por isso a quinta parte também não ficou em primeiro lugar.
A princípio, a ideia do quadro atual era fazer algo coeso como o "2000's fashion", mas isso foi mudando com o tempo, ainda na primeira parte. Na quarta colocação, a primeira parte foi difícil não só porque eu estava com um problema no meu pc e tive que fazer os looks em outro pc, mas também porque foi a abertura e depois de decidir que as partes seriam visivelmente distintas, eu queria que a primeira parte fosse um resumo (a cara) da década, para depois nas outras partes ir para coisas mais específicas. Essa é uma tarefa difícil (já foi difícil fazer esse resumo em 5 partes, imagina em 1 parte só), porque havia muitas coisas na época. Não coloquei o grunge na primeira parte (embora também seja "a cara") por causa do problema do pc... também porque achei que exigiria mais atenção, pois tinha muitos itens para usar em looks grunge (ele acabaria "tomando conta" da primeira parte... queria que essa parte tivesse um pouco de cada coisa, para ser resumo mesmo) e não queria fazer de qualquer jeito.
Em quinto lugar, a quarta parte não foi difícil porque tinha muitos itens para fazer looks com eles (diferente de como foi no momento da primeira parte), mas porque essas camisas xadrez são difíceis de usar mesmo, são mais fechadas e se colocar outra coisa com estampa, pode ser que não combine. Talvez, pessoas que fazem looks elegantes o tempo todo, estão mais acostumadas a usar esse tipo de camisa (só que sem estampa). Porém, como no resto não tem mais nada formal (é uma peça que originalmente é formal, que foi adaptada nesse caso para não ser, mas que não é possível tirar totalmente a formalidade, compare com uma pessoa tradicionalmente carioca por exemplo, é mais informal), então também foi ao mesmo tempo mais fácil e por isso ficou na última posição de dificuldade.
Complexidade dos anos 90 e se eu me identifico com ela
Tem coisas que sou complicada, outras sou muito fácil de entender, mas no geral, não me acho tããão complicada quanto os anos 90 em si e nem tem como eu colocar tudo dos anos 90 no meu estilo (apesar de que eu já me inspirei nessa década várias vezes antes do quadro). Como expliquei antes, a década de 90 tenta ser mais simples, mas é mais nas roupas do que nas ideias defendidas, pois não há uma solução tão simples para essas ideias, igual se vestir de um jeito mais simples, etc e depende da época que está comparando com os anos 90. Já os anos 2000 não é tão complexo nesse sentido porque foi perdendo a profundidade de ideias (ostentação era a coisa mais "legal" do momento, por exemplo). Pode não parecer, mas tem coisas que sou bem simples, por exemplo, em relacionamentos (de amizades, etc), costumo ser clara se gosto de alguém ou não, já a questão de estilos é mais complicada porque é difícil colocar toda a sua personalidade em algo que é um pouco limitado (a roupa), mesmo que a minha personalidade seja menos complexa que os anos 90, mas acho importante se sentir bem com o que vestimos.
Minimalismo x Maximalismo
Eu não me considero a pessoa mais minimalista (depende do ponto de vista). É que quando eu escolho um item, ele geralmente é chamativo (muitas vezes são aqueles itens que as pessoas dizem serem difíceis de combinar). Já me falaram que eram looks mais fantasiosos, que "não servem para o dia a dia" e também tenho muitos itens (que acho normal por ser apenas resultado de muito tempo jogando, mas que quem não acompanhou talvez ache muita coisa), então olhando por esse lado, eu não sou super minimalista. Porém, quando compro alguma coisa, geralmente é porque gosto (sair da zona de conforto também envolve "dar uma chance" para coisas que você acha que não vai gostar ou para coisas "novas" e foi o que mais fiz nos últimos anos, mas eu jogo há 16 anos [vai fazer 17] e essa temporada saindo da zona de conforto não é nem metade do tempo que eu tenho de jogo, por isso digo que é geralmente, porque é a maior parte) ou porque acredito que vou conseguir deixar essa coisa "a minha cara" mesmo que isoladamente pareça não ter a ver e tem gente que compra exclusivamente por ser caro e pela marca ou por estar na moda. Pra mim pode até coincidir de ser de marca ou de estar na moda, etc, mas não é o pré-requisito e se não tiver o meu estilo ou não tiver uma coisa muito específica que estou procurando, não compro (só se fosse pra pegar de graça). Também não costumo mudar as suítes com muita frequência. Olhando por esse lado, acho que sou um pouco minimalista. Mas nunca gostei do estilo minimalista demais pra tudo (respeito quem gosta, mas não é o meu estilo), acho que cada um faz o que quiser, independente de estar na moda ou não, de ser atemporal ou não (incluindo ser minimalista, que não é o meu caso, mas cada um faz o que quiser). Gosto de estilos, mas sinceramente, não me importo de estar na moda. As coisas "exageradas" que uso (quando posso usar), eu uso porque gostei e só. Não sinto essa necessidade de parecer rica e não sei porque gostam tanto de minimalismo (esse é um dos motivos pelos quais não acompanho blogs e canais de moda, eu já vi coisas desse tipo, várias vezes)... mas não sou contra dinheiro, se tornar rico (a) ou algo do tipo, me refiro a essa necessidade extrema de parecer determinada coisa visando status e validação. Usar coisa básica pra "equilibrar" pode até ser, mas tem gente que faz o look inteiro assim o tempo todo e eu particularmente não gosto, eu gosto mais de ser exagerada mesmo (e eu não to dizendo no sentido de ostentar ou algo parecido, mas de usar coisas fora de moda mesmo, ter estilo próprio, personalizar coisas, etc), apesar de reconhecer que sim, é mais difícil de andar cheia de estampa, etc, mas não sou, nem nunca fui muito fã do básico (pra roupas pelo menos). Reconheço que o minimalismo ajuda a organizar, limpar a casa, tirar excessos, deixar apenas o essencial, por exemplo. Eu sou metódica, literal, guardo as coisas sempre no mesmo lugar, etc, sendo minimalista ou não, tanto faz, mas para quem tem mais dificuldade em ser organizado (a), ajuda sim. Concordo que excessos podem fazer mal (principalmente na política), também prezo pelo essencial, mas no que diz respeito ao visual (da casa ou da pessoa), o que é essencial para uma pessoa, pode ser muito pouco para o que é essencial para outra (ou seja, não é essencial, na verdade está abaixo do que seria essencial). Em muitos casos, eu fico buscando o meio-termo das coisas e isso também é buscar o essencial.
Supermodelos
Como eu gostaria de me expressar nas roupas (no geral)
Aproveitando que eu disse que não gosto muito de coisas muito básicas, também cabe eu explicar (tentar, pelo menos) como quero me comunicar visualmente, porque pessoas que usam muitas coisas costumam confundir os outros e também vou conectar isso na medida do possível com a minha experiência fazendo o quadro. Geralmente, uma das primeiras coisas que pensamos quando vemos um look de alguém, é que esse alguém está querendo comunicar alguma coisa para nós. Porém, antes de eu procurar fazer os outros me entender, acho que é mais importante eu me entender (para isso, é necessário colocar as coisas em prática), porque sem isso eu também não vou saber explicar para os outros e é o que eu venho tentando fazer todo esse tempo (me entender) e quem estiver procurando se entender também, espero que o que tenho a dizer ajude.
Quem olha para os meus looks no geral, acha que sou extrovertida e eu não sou tanto (não é o que predomina), embora eu tenha o meu lado extrovertido também, como todo mundo tem (não existe ser 100% extrovertido ou 100% introvertido). Acontece que eu não uso roupas para expressar exatamente o meu humor ou algo parecido (que é comumente associado a introversão e extroversão ao se referir a roupas, mesmo ambos não sendo apenas humor). Se fosse depender do meu humor, meus looks seriam quase sempre a mesma coisa, com uma certa estabilidade ou previsibilidade (mais ainda do que já é, como pode ver a durabilidade de quadros que eram para ter durado menos, como o próprio "Different and normal like 90's", porque tenho dificuldade em fazer certas coisas rápido demais), mas há mensagens nos meus looks sim (no stardoll pelo menos, já que há mais variedade, é mais barato, dá pra testar mais, etc). Meu humor quando muda é meio impulsivo, mas isso é um pouco diferente de ser instável e acho que o fato de eu ser introvertida ajuda a não ser tão impulsivo, é até melhor que não seja mais do que isso. Muito do meu humor foi "herdado" da minha mãe e da minha irmã que morou mais tempo comigo, ambas são calmas. A minha irmã é taurina (para quem acredita em signo), pode ser isso também kkk. Uma pessoa de humor impulsivo é uma pessoa que se sente de determinado jeito de forma repentina (e ás vezes é possível ignorar), mas não quer dizer necessariamente que muda de humor o tempo todo e pode tomar tal atitude que pode de fato ter sido precipitada ou não, se tiver mais maturidade, pode ser uma atitude que pela intensidade pode parecer que não foi pensada, mas pode não ter sido precipitada (só aparenta). Já uma pessoa de humor instável, muda de humor constantemente e pode tomar atitudes com base no que estava sentindo com mais frequência por uma questão de probabilidade (quanto maior o número de mudanças, maiores são as chances de atitudes baseadas no humor porque mudar também implica em agir, mas se o foco não estiver nas mudanças, então as ações são mais direcionadas, com menos mudanças apesar de haver também, mais prudentes, etc). Se tratando apenas de roupas, também "é ok" ter um humor que muda bastante e você usar roupas de acordo com seu humor. Acho que meus looks refletem mais meus pensamentos no geral (alguns momentâneos) do que apenas o humor. Pode ser daí que surgem os significados e que é possível variar mais (no meu caso).
Há quem diga que eu mudo bastante (principalmente avaliando pela internet, onde os nichos são importantes e a definição é meio pré estabelecida pelo coletivo para haver uma comunicação mais compreensível, mais clara, mais tangível), apesar de eu enxergar constância em muitas coisas, mas toda vez que penso em mudar rápido, aí as coisas ficam mais lentas ainda, talvez isso só acontece se não for proposital. Me senti um pouco pressionada (por mim mesma) a terminar esses quadros ("Different and normal like 90's" e "2000's fashion") porque tenho muitas outras ideias que ficaram pendentes esse tempo todo. Não valeria muito a pena deixar esses quadros em aberto (como o "Better than cheesecake") sem uma finalização porque foram mais experimentais do que algo que eu quisesse que "me definissem", embora eu tenha tentado deixar do meu jeito sim. Ás vezes a minha cabeça (metaforicamente falando) estava em um conflito como a música "Sou a Barbie Girl" da Kelly Key na parte:
"- Anda barbie, vamos barbie
- Deixa eu me arrumar, ken!
- Anda barbie, vamos barbie
- Já vou, já vou!"
Kkkkkk, brincadeiras à parte... O problema dessas experimentações é que se você faz uma coisa por muito tempo, as pessoas te definem por isso, mas se faz por pouco tempo, fica um experimento mais raso e talvez faça você se questionar por que fez tal experimento, porque embora demore menos, se virar um hábito fazer coisas rasas, também perde tempo.
Eu já fiz looks mais "sensuais" porque defendo a liberdade de usar o que quiser e ás vezes realmente "a maldade está nos olhos de quem vê". Ingenuamente, eu não sabia exatamente o que eu estava defendendo, porque quando é colocado duas coisas juntas (nesse caso, liberdade e sensualidade) e você concorda com uma delas, ás vezes a outra coisa é passada despercebida e quando você vai reparar, está defendendo a outra coisa também. A coisa "sensual" ainda defendo (com poréns), mas hoje em dia tenho um pouco mais de noção de que esse meu ponto de vista se trata mais da liberdade. Com o tempo, algumas coisas foram acontecendo que me fizeram questionar se tudo sobre isso é ou não de fato liberdade. Não vou entrar muito nesse assunto porque daria uma postagem inteira sobre isso e não é o foco aqui, mas também faz parte da minha expressão em termos de estilo.
Também gosto do estilo kawaii, lolita kei, etc e isso converge com o que eu disse acima porque sei esses estilos não tem pretensão de serem sensuais, só que eu tenho muita dúvida sobre qual escolher, mas sob pressão, acho que eu escolheria o kawaii, lolita kei e cia. Já sobre serem estilos considerados infantis, é o que todo mundo diz, mas talvez seja algo que até eu mesma precise desconstruir porque eu também gostaria que mulheres adultas pudessem usar essas coisas sem ser tratadas mal ou algo parecido.
Voltando no assunto de significados, creio que muitos desses significados podem ser frutos do inconsciente coletivo, mas acho que dá pra filtrar esses significados e extrair o que seria uma definição um pouco mais sua (mais subjetiva, abstrata), ao invés de ter apenas a definição pré estabelecida dos estilos ou nichos. Pode ser até um caminho para a individuação (isso vem do Carl Jung, caso queira pesquisar), porque é um pouco parecido com fazer arte ou é no mínimo uma ferramenta terapêutica também (que não tem fim, mas é). Isso não quer dizer que não uso os estilos pré-definidos... eu estaria sendo meio hipócrita se eu dissesse que não uso nada disso e entendo que é importante para formar grupos e conectar pessoas. Ao mesmo tempo, também penso que misturar esses estilos (ainda que não seja algo totalmente criado por você e aquela frase "nada se cria, tudo se copia" se encaixe) é um pouco mais original que não misturar (embora fazer looks com significados seja mais ainda se for algo que você pensou bastante ou no mínimo te ajuda mais a se conhecer).
Existem debates onde as pessoas discutem se arte com significado é realmente arte e consigo entender as pessoas que são contra você criar um significado qualquer, pegar um objeto que você não teve trabalho nenhum para criá-lo e chamar de arte por causa do significado (tipo colar uma banana na parede e chamar de arte). Porém, significados também são importantes. Usam muitos significados nas músicas. Isso contribui no autoconhecimento, pelo menos de quem faz as músicas. Já o autoconhecimento de quem escuta, aí depende, talvez a pessoa que escuta esteja sendo moldada pelo (a) artista. Quando penso sobre o trabalho também ser necessário além de significado, aí eu começo a ser mais literal na produção de um look, pois é o que dá pra fazer, afinal as roupas já vem prontas, etc, e se fosse produzir outra coisa (focando muito nessa outra coisa), o blog poderia virar outra coisa, deixando de ser lookbook. No caso, me refiro a ser literal no estilo em questão, pois não mudo muito a minha doll (é a partir daí também que o look pode não ser enxergado como um look para o dia-a-dia).
Mesmo eu sendo literal (ás vezes), também é possível ver misturas. Só que por misturar estilos (e eu não misturo necessariamente em um único look, mas também misturo de uma forma mais ampla, como se estivesse vendo todas as postagens de uma vez só ou algo mais ou menos assim), muita gente acha que eu não tenho um estilo definido e eu acredito saber as coisas que eu gosto sim, só não é respeitando todas as regras de um grupo ou algo do tipo. Acho que o fato de eu repetir muitos looks com determinado estilo (mesmo existindo muitos outros looks com outro estilo) também são padrões e essa mistura também poderia de certa forma ser considerada estilo, embora fique mais difícil de entender. Na minha opinião, gostar de muitas coisas não faz alguém ser eclético (mas se procurar no dicionário, vai dizer algo mais ou menos assim), o que faz ser eclético é não saber de quais coisas você gosta ou qualquer coisa servir. Eu gosto de muitas coisas e sei quais são. Até o jeito como uma pessoa organiza as coisas (se for um espaço que ela pode organizar individualmente) ou jeito de falar/escrever, etc, são características da personalidade e podem ser "o estilo da pessoa". Também o fato de uma pessoa misturar duas coisas diferentes em uma coisa só, não necessariamente significa que a pessoa não sabe a diferença entre uma coisa e a outra, ela está misturando propositalmente, e não necessariamente também porque ela se acha eclética, mas porque ela está tentando encontrar o próprio estilo.
Acho que se eu pudesse usar literalmente o que eu quisesse, eu não iria fazer nada comum, para o dia-a-dia, eu iria vestir várias coisas e nem seria com o intuito exatamente de chamar atenção (nem de homens, nem de mulheres), pelo menos hoje em dia eu não tenho mais essa preocupação, mas pode ser que eu tenha tido no passado a intenção de mostrar para garotas (afinal, eu tenho um lookbook), com a intenção de amizade e de ser admirada por garotas, mesmo em um grupo pequeno. Hoje seria simplesmente porque é divertido. É parecido com pintar ou desenhar (por exemplo), você pode desenhar para os outros verem seu desenho ou você pode desenhar, ninguém ver (só você) porque o ato em si de desenhar já é um passatempo e pode ser que mesmo assim alguém veja seu desenho, mas foi por acaso e não porque você estava procurando. Algumas pessoas não usam redes sociais porque querem ser exatamente famosas, elas usam como um diário (é mais prático) ou apenas entretenimento.
Indo mais no aspecto de estilos pré definidos, existem outros estilos que eu uso, mas a intenção sempre foi focar no estilo kawaii e derivados desse estilo. Só que musicalmente, eu gosto de synthpop, música gótica, rock, etc, daí fica esse "conflito" que não sei como resolver (se é melhor só usar preto ou não) porque gosto das duas coisas e de pop eu só gosto mesmo do Michael Jackson. O grunge também indiretamente sempre esteve presente no meu estilo de uma forma mais escondida, pelo conforto também ser uma das coisas que valorizo.
Se me perguntassem "misturar estilos no mesmo look, deixa uma pessoa mais autêntica?", eu já pensei que sim (apenas sim), mas a minha resposta hoje em dia seria: sim e não. Sim, porque significa que a pessoa entendeu como estar "na linha de chegada" e não, porque ela pode talvez estar fazendo isso de maneira inconsciente (não é 100% de certeza, mas pode) e definir um estilo (ou criar um estilo, entenda como quiser) é como se fosse um exercício (não é uma sentença, pode mudar, mas quanto mais levar a sério, mais efeito terá o exercício) para trazer mais para a consciência o que você está fazendo, e trazendo mais para a consciência é mais autêntico. Mas eu também já misturei estilos no mesmo look, por exemplo, no look "It's more fun to compute. It's more fun to compute." há mistura do futurismo (porque eu gosto de synthpop) com o kawaii (por causa do cabelo e das meias) e com o grunge (por causa dos sapatos). Há mais exemplos de looks com misturas no mesmo look. Como eu disse antes, o grunge geralmente fica bem menos explícito no meu estilo. Não é como se olhasse para o look e pudesse dizer com certeza "isso é um look grunge", mas há influência. Já no quadro sim, a intenção era ser mais literal. Enfim... caso ainda não tenha ficado muito claro, estamos aí na busca do estilo próprio (espero estar no caminho certo).
Para descontrair.
Os looks desse quadro que eu disse que iria detalhar o processo de criação deles (alguns) vão ficar para a parte 2 dessa retrospectiva, como mencionado antes. Serão poucos looks, mas acho que ficarão melhores em uma nova postagem, aguardem.


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